O meu Outono virou Primavera

É tão lá longe no núcleo do Amor, tão intocável pelo comum mortal, que nos encontro e nessa vibração cósmica as nossas almas fundem-se e amam-se desde sempre e para sempre.
Na eternidade, essa sensação de “tempo”, que só alcanço afastada do meu ego, sinto que sempre “estivemos”.
Não há estranheza no sentir, só flashes desse ego que me diz que tudo isto que sentimos é “mentira”… arranco-lhe o poder e elevo o meu Amor, para que te possa receber sem duvidar, afasto os meus anseios para poder desfrutar daquilo que é mais escasso humanamente de encontrar, permito-me a abrir o meu coração, totalmente remendado, para que tu entres. Apavorada estou por o fazer, tão mais fácil tê-lo fechado para o que é profundo, mas não serei eu se não o escancarar, se não o tirar da zona de conforto e às escuras, nesta selva de sentimentos descartáveis, ter mais uma vez a valentia de acreditar que o verdadeiro Amor existe e não é uma mera ilusão…

IMG-20191028-WA0002.jpgImagem: algures num jardim

Numa noite dei a volta ao Planeta

A coragem de viver, sem medo do desconhecido, levou-me até ti e a magnitude do que vivi durante aquela noite não tem precedentes. Flashes desenfreados mantêm-se na minha mente e persistem em iluminar o enredo que juntos encenamos. De nada me esqueço, com o tempo tudo é realçado.
Dançar contigo ao som das ondas a quebrarem na praia, sim desse forte mar que apagou a sonoridade da música que nos guiava, fez-me sentir num palco que só os mais abençoados pisam. Sentir a tua raça pela fisionamia das tuas mãos, pelo teu cheiro misturado com a fragrância do banho e da terra outonal, fez-me viajar pelo teu penetrante mundo na natureza. Que mistura de sabores, como se tivesse dado a volta ao planeta e num ápice ter conhecido tantos países, tantas culturas. És tão apetecível de mergulhar, despertas tanto o desejo de te explorar, és alimento para a minha aguçada curiosidade, és cópia do ser humano que desejo que me acrescente… penetras em mim tão subtilmente como penetro em ti… perdi todo o meu poder quando te comecei a sentir, achava eu que controlava aquilo que não pretendia e vem o Amor, o fácil que é o Amor, que nos desmancha, que nos desconstrói, que nos eleva a uma dimensão onde a mente nada comanda, onde quem reina é Ele e nos guia nessa fluidez impossível de quebrar.

IMG-20191028-WA0000Imagem: o teu jardim

Leve amar

Este amor que vive numa liberdade ingénua do sentimento
Que me faz voar por entre corações…
O teu e o meu, que de tão livres, se amam pela eternidade
Sinfonia que pauta este bailado que se faz leve e sereno
Fluindo pela chama do nosso Amor, tão ardente e acesa
Voamos e descansamos no conforto do encontro das nossas almas
Que juntas se sentem em casa, na mais elevada vibração que abraça esta união.
A inocência de ser criança é recordada e sentida, quando sintonizo com a beleza deste encontro
E toda a pressão absurda de ser adulta, nesta assombrosa sociedade,
esvai-se pela força desta pureza de Amar
Tocas-me e a minha personalidade desintegra-se das teias sociais
Perdendo a noção do tempo, da responsabilidade, da exigência,
da loucura de ser humana, num mundo de egos totalmente desvirtuados…
Construindo, entregando, confiando, amar-te-ei em cada nascer e pôr de sol, em cada ciclo lunar, em cada fragmento de tempo, em cada suspiro, em cada pautar do meu coração
Tu que me despojaste de todo e qualquer bloqueio
Me fizeste libertar desde o núcleo dos átomos que me fazem carne…
Passei a translúcida, a ser virgem no sentimento,
Por tanto me despires e delicadamente na minha nudez tocares
Com essa leveza e liberdade de amares…
Livre, leve e solto é o soletrar do nosso Amor
Assim se fazem cegas, surdas e mudas as nossas personalidades
E só as almas se sentem pelo compromisso cósmico e angélico de simplesmente se Amarem

IMG_20190329_204511_919

Covilhã – Portugal

Intensidade…

Que intensidade é esta que respira por mim, que aumenta tudo aquilo que sinto, que me leva a ver mais do que é, que perigosamente me impulsiona a mergulhar em cenários psicadélicos do inconsciente… viagens absolutamente vertiginosas no que toca à percepção das emoções, sejam elas absolutamente encantadoras, como fugazmente passam a verdadeiros buracos negros, por aquilo que percepcionei ser fruto de algum tipo de criatividade orquestrada pela minha mente. Algo incrustado em mim leva-me a desenhar a vida com base num ideal totalmente inadaptado daquilo que se vive actualmente… cerrar os olhos e despertar a tela imaginativa é dos meus maiores prazeres e antídotos, para que possa viver esta experiência o mais alucinante possível. A vida na Terra é sem dúvida recheada de incógnitas, nunca sabemos o que nos espera, desgraças são mais alimentadas do que alegrias, vivemos em constante sobressalto por aquilo de negativo que nos pode atingir e desvalorizamos que a maior parte da nossa existência estamos a ser alimentados por oportunidades de crescimento. Ao descobrirmos que a cada inspiração e expiração entramos numa esfera imaginária, onde a liberdade está sempre presente, percebemos que tudo é possível num Mundo muitas vezes desprovido de lógica. Para que a nossa sanidade mental esteja equilibrada, teremos que usar a criatividade, que nos colocará nos sonhos do inconsciente, que fazem a conexão com algo muito mais amplo e poderoso do que aquilo que humanamente nos é acessível. Esta ilusão humana que nos formata a seres sem poder para Amar, para criar, para expandir, para navegar nas águas da liberdade, terá que ser imperativamente explorada. Sejamos sábios!!! Esta minha intensidade leva-me a questionar o porquê de eu assim ser, ao contrário de tantos que comigo se cruzam, que fugazmente se dão como vencidos e vivem numa espécie de banho maria, que não os leva às raízes do auto-conhecimento que a mim tanto me preenche e me dá a certeza de missão cumprida. Por explorar o micro-cosmos que sou e fazer da minha existência uma constante descoberta, sei que não existe um fim, nem perguntas com resposta, apenas uma liberdade de eu poder escolher aquilo que eu quiser que tudo isto seja. Desta forma não existe espaço para dúvidas existenciais. Pois tudo o que desejo já foi criado no meu inconsciente e através do sonho consciente posso alcancá-lo. Se não fôr materializado no físico, é sem dúvida no meu interior, onde tudo é possível de acontecer, sem obstáculos.

img_20190128_084912_933

Serra Grande – Brasil

A Beleza de Seguir

A beleza de seguir, respeitando o momento presente, tranquiliza a mente colocando fim aos pensamentos que mais se parecem com fogo de artifício numa noite de verão.

Controlar o fogo desenfreado, que aparentemente nos transmite um belo cenário no escuro céu, mas que perturba, pelo incómodo tormento dos seus disparos que tudo fazem tremer… assim se processam os nossos constantes pensamentos.

Há que ser sábio em não permitir que todo o céu seja revestido pelo tumulto pensante originado pelos caprichosos desejos que alimentam a nossa imaginação. Mas sim dar origem a um fogoso baile estruturado na serenidade do Amor.

A gratidão por conquistar um pacífico céu, pela beleza do que lá colocamos e que vai povoar o micro-cosmos que cada um de nós é, permitirá a união a outros céus semelhantes criando assim um “tecto” harmonioso.

Na constante observação e correcção do que emanamos, que nos é devolvido pelo exterior, permite-nos um maior conhecimento do que habita em nós.

Preenchendo-nos assim de sabedoria…

Obrigada pelo tempo a que cada um se dedica na reflexão dos seus actos, pois desta forma estão a contribuir para a pacificidade das nações.

E assim se vão levando os dias na Terra, aperfeiçoando o que somos, deixando marcas de luz pela transformação a que nos propomos.

20181231_171625.jpg

Porto – Portugal

Sentir sem Sentidos

Hoje pela manhã apreciava uma flor e detectei o quanto ela embelezou o meu momento. Observei o porquê de algo exterior ter alterado o meu estado de espírito para melhor. E como tenho uma tendência natural para perceber o porquê de tudo, questionei-me: E se esta flor não estivesse ali? Continuaria no registo que estava antes de a ter apreciado…? E nós humanos, somos assim mesmo, aumentamos e diminuímos a frequência do nosso bem-estar orientados por acontecimentos externos.

Parar de sentir o exterior da forma como os nossos sentidos o indicam é uma experiência que todos nós nos deveríamos propor a ter.

A beleza da vida não está na natureza, nem em nada que venha de fora, pois se assim fosse o que seria daqueles que por diversas razões vivem em situações de que o sol é inexistente, a guerra é uma constante, a doença é permanente e a solidão uma circunstância. Se estes escolherem viver e não morrer em vida, uma das soluções que encontram para que a Paz em Amor seja permanente, é o efectivo controle das emoções que grande parte das vezes revelam-se pelo que os nossos sentidos se alimentam.

Temos grandes exemplos daqueles que por ordem da aprendizagem possuem algum dos sentidos adormecidos e grandes obras executaram, tais como, Helen Keller, cega e surda, que superou todos os obstáculos, tornando-se uma das mais notáveis personalidades do nosso século. Sentia as ondulações dos pássaros através dos cascos e galhos das árvores. Tornou-se uma célebre escritora, filósofa e conferencista. Famosa pelo fabuloso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas portadoras de “deficiências”. Beethoven que ficou totalmente impossibilitado de ouvir aos 46 anos. Em completa surdez compôs ainda 44 obras musicais. A surdez possibilitou-lhe que se tornasse mais introspectivo, profundo, contemplativo e livre das convenções musicais.

Na minha experiência de vida, sem nenhum dos meus sentidos afectados pela doença, já tive a oportunidade de os anular para verdadeiramente Amar. Os nossos comandos absorvem aquilo que a nossa personalidade reclama. E quando não é correspondida temos a tendência de nos desiludirmos e cair na tristeza. E como a vida nos vai ensinando que o caminho é “servir” vamos permitir-nos a dar um pouco de atenção a esta experiência absolutamente enriquecedora para que a propagação do Amor seja realmente efectivada.

Trabalhar com os “sem abrigo” demonstrou-me a facilidade que temos em neutralizarmo-nos por Amor ao próximo, sem nada em troca, pois não há lugar a vencimento, não são nossos filhos nem familiares, mas sim seres humanos que de nós precisam e deles precisamos para juntos aprendermos a Amar.

Quando partirmos deste plano os nossos sentidos inactivam-se juntamente com o nosso físico e só a vibração se manterá viva, por isso façam o convite a vocês próprios e encontrem espaço nos vossos dias para agirem com menos força nos comandos do corpo dando lugar a mais radiação no coração.

A aprendizagem sobre as diversas energias que se acumulam em nós é uma mais-valia para que rapidamente possamos viver a “sentir sem sentidos”.

Aumentando significativamente a nossa qualidade como Seres de Amor.

img_20190107_111819_296
Amesterdam

Todos são nossos filhos

Ser mãe não é uma escolha, pois se assim fosse, o que seria daquelas mulheres que tanto desejam ter filhos e por diversas circunstâncias não lhes é possível viver essa experiência. Aprofundarmo-nos no porquê de uns poderem e outros não, é permitirmo-nos a encontrar paz, com fundamento. Não uma paz ilusória, mas sim genuína. Esse processo exige coragem, tempo, solidão, afastamento das distrações e acima de tudo Amor por nós, Amor por todos. Questionarmo-nos é respeitarmo-nos, é possibilitar o renascimento da inocente felicidade enquanto crianças. Onde os sonhos existem sem obsessão. Quem somos nós? O que fazemos por aqui? Porquê que a vida não nos permite ter/ser tudo aquilo que desejamos? Questões que vão surgindo na medida em que crescemos… crescimento esse que nos exige maturidade, abandono da inocência, sacrifícios, falsificação do que verdadeiramente somos, para que possamos ser integrados numa sociedade formatada por aquilo que aparentemente é o caminho. Não sei o que é não poder ser mãe, não me atrevo a colocar no coração dessas mulheres, afirmando que terão que aceitar e largar essa vontade. Até porque não me é possível conceber que um corpo feminino não possa gerar uma vida, quando ele está preparado para essa magnitude. Mãe, todas deveríamos sê-lo, pois é nessa condição que realmente nos tornamos seres distintos dos demais. É o que aparentemente faz sentido numa vida tão descartável que hoje vivemos. Este laço que é tão único, tão especial, tão mágico. Como se em outra dimensão vivêssemos e que só mesmo as mães o entendem. É nesta condição, quando tudo desmorona, que encontro a minha missão, a minha força, a minha coragem para continuar. É ver uma continuação de mim, um “produto” do meu Amor a ser esculpido, a ser construído, a ser moldado, aos valores que na condição de humanos devemos ter. Responsabilidade que cresceu em mim, que não me deixa descansar, pela exigência que coloco em que não posso falhar. E tantas vezes falho e nessa fragilidade o meu Amor torna-se mais verdadeiro, mais exigente. Todos devemos e podemos ajudar na educação das crianças, sendo ou não nossos filhos. Penso que esta missão de ser mãe é contagiante a todos. Condição que é possível, mesmo que não sejam filhos de sangue. Estas crianças serão o futuro da humanidade e desta forma a responsabilidade é de todos nós. Pelo menos deveria ser.

img_20190104_095221_163

Porto – Portugal