Talvez não tenha o direito de fazê-lo…

…tenho vontade de gritar… talvez seja egoísmo fazê-lo… talvez já saiba muito mais do que aquilo que vou libertar e talvez não tenha o direito de espalhar os sentimentos que neste momento me bloqueiam a respiração… mas revolta-me e deixa-me apática observar a falta de Amor que temos uns pelos outros no nosso dia a dia, no nosso mundinho materialista, feito de correrias e sem tempo para pausas para dar valor humano aqueles que ao nosso lado estão. Estou triste, estou em processo de clausura do meu coração por tantos não se permitirem receber Amor para que desta forma também o possam dar. E com mais esta tragédia consumida pelo fogo, entre tantas outras que temos assistido, reaviva-me que só nestes momentos é que despertamos para o carinho, para o valor da vida que somos nós Homens. A imagem que tenho é da família de 4 lindos sorrisos que partiram abraçados e este retrato só me suscita o quanto menosprezamos o que de mais rico a humanidade possui… a ligação afectiva que devemos ter entre todos nós. É nesta hora da partida que muitos se arrependem de não terem aproveitado mais os sorrisos, mais os abraços, mais a companhia, mais e mais… vivemos numa sociedade extremamente consumista que nos faz trabalhar em empresas obsoletas que nos tiram tempo com os nossos mais próximos, para que possamos pagar as casas e tudo que a elas está ligado, que apenas servem para irmos descansar por um número mínimo de horas. Somos escravos de uma sociedade doente que nos controla, que nos aprisiona, que nos comanda, que nos incute responsabilidades irreais. Que nos leva a estar longe do melhor da vida, no meu caso daqueles a que dei vida… dói-me o coração quando o meu filho mais novo me diz “mãe as férias estão quase a começar e tu vais passá-las comigo, não vais?” e eu nem resposta tenho… quase 3 meses de férias em que tenho que arranjar quem fique com eles, pagar para que alguém passe tempo de diversão com aqueles que deveria ser eu a passar… não me conformo, tento aceitar em paz que assim tem que ser, mas sinceramente não o consigo fazer na plenitude. A mudança é motivada pela revolta e muitas vezes a tentei fazer e infelizmente digo “ainda não consegui…” por isso, cada vez cresce mais a coragem de abandonar um país que não nos dá condições para viver em pleno o melhor da vida…  é escusado procurar culpados pois esses próprios também são vitimas da evolução do Poder alimentado por Homens que olham para as civilizações com a perspectiva de enriquecer os seus próprios bolsos com matéria feita por papel e metal. E as vidas humanas embelezadas por almas que apenas precisam de Amor adoecem, sofrem, morrem para a vida por não terem a força do poder egóico a alimentá-las… e estas são as vítimas da crueldade de quem só quer destruir.

Muitas vezes quase perco a fé de ver dias melhores, mas algo mais forte em mim leva-me a nunca desistir de orar por um mundo melhor, mais sábio, mais rico em sentimentos nobres.

Com todas estas palavras ainda nem uma lágrima consegui libertar, sinto-me impotente, sinto-me enclausurada em 8h de trabalho diárias que me tiram a liberdade de viver o ar que se respira lá fora na companhia daqueles a que dei vida.

Não deixem de enviar Amor a todas aquelas almas que partiram e mais ainda aquelas que ficaram num vazio sem precedentes. Por favor Amem sem fim, que todos os nossos esforços sejam para perdoar para que possamos viver em genuinidade e humildade para com a simplicidade da vida.

E muitas mais palavras querem voar de mim, mas vou perdendo a força de o fazer… No silêncio volto a estruturar-me e a recuperar de tanta desilusão, de tanta desgraça, de tanta dor que nós Homens ainda temos a capacidade de fazer uns aos outros. E nunca deixar de me observar e perceber onde posso melhorar cada vez mais para que possa ser uma das pessoas que mais emana o bem e menos o mal… Não somos perfeitos mas podemos aperfeiçoar-nos, só precisamos de querer e agir nesse sentido com muita coragem.

Em Paz e Amor vos deixo…

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Portugal
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